agosto 25, 2004

Uma demolição na Sé, mais uma esquina que o tempo fará renascer. E esta comunidade bem precisa de auto-estima. Olhar para as suas paredes, acautelar a sua história, erguer e renovar o parque urbano de forma harmoniosa; pensar qual o papel do especulador imobiliário, da responsabilidade do construtor civil e dos políticos presentes e passados... porque eu gosto do meu Porto, sem a mínima parolice de um certo bairrismo bacoco.
Por isso gosto da fonte das virtudes e da avenida dos aliados e aqui fica um abraço a ambos.

Publicado por jpcoutinho em 07:05 PM | Comentários (2) | TrackBack

agosto 24, 2004

"reposteiros"

Afinal onde paravam os nossos enviados “espaciais”, gente de outro mundo, quando se fala em génios da caneta e do cromo...
Fotografia de Marte censurada pelos americanos.jpg
ninguém deu por esta?

Publicado por jpcoutinho em 06:58 PM | Comentários (2) | TrackBack

Velório de Um Comendador

Em “deleituras” de João Cabral de Melo Neto: um belíssimo retrato de muitos “comendadores” e candidatos a tal, que por aí populam. Dedico – lhes este verso...

mesmo com essa comenda
e essa embalagem de flor,
eis que ele, em mercadoria,
não encontra comprador.

...mas arranjarão sempre um cliente.

Velório de Um Comendador
João Cabral de Melo Neto

I
Quem quer que o veja defunto
havendo-o tratado em vida,
pensará: todo um alagado
coube aqui nesta bacia.
Resto de banho, água choca,
na banheira do salão,
sua preamar permanente
se empoça, em toda a acepção.
A brisa passa nas flores,
baronesas no morto-água,
mas nem de leve arrepia
a pele dela, estagnada.
Talvez porque qualquer água
fique mais densa, se morta,
mais pesada aos dedos finos
das brisas, ou a outras cócegas.
Não há dúvida, a água morta
se torna muito mais densa:
ao menos, se vê boiando,
nesta, o metal da comenda.
Não se entende é porque a água
não arrebenta o caixão:
mais densa, pesará mais,
terá mais forte pressão.
Como seja: agora um dique
detém, de simples madeira,
uma água morta que ele era,
sem confins, mar de água mangue.
II
Todos os que o vejam assim,
coberto de tantas flores,
pensarão que num canteiro,
não num caixão, está hoje.
O tamanho e as proporções
fazem o engano mais perfeito:
pois é idêntico o abaulado
de leirão e de canteiro.
Nem por estar numa sala,
está essa imagem desfeita:
se em salas não há jardins,
há contudo jardineiras.
E só não se enganaria
nem cairia na imagem,
alguém que entendesse muito
de jardins e reparasse:
que a terra do tal canteiro
deve ser da mais salobre,
dado o pouco tempo que abre
o guarda-sol dessas flores

com que os amigos que tinha
o quiseram ajardinar,
e que murcham, se bem cheguem
abertas de par em par.
Na verdade, as flores todas
fecham rápido suas tendas.
A não ser a flor eterna,
por ser metal, da comenda,
que, de metal, pode ser
que dure e nunca enferruje.
Ou um pouco mais: pois parece
que já a ataca o chão palustre.
III
Embarcado no caixão,
parece que ele, afinal,
encontrou o seu veículo:
a marca e o modelo ideal.
Buscava um carro ajustado
ao compasso do que foi;
mais ronceiro, se possível,
que os mesmos carros-de-boi.
Mais dos que achava dizia
perigosos de se usar.
Igual dizia dos livros
e das correntes-de-ar.
E agora tem, no caixão,
esse veículo buscado;
não é um carro, porém
é um veículo, um barco.
O que buscava, queria
sem rodas, como este mesmo;
rodas lhe davam vertigem
senão em comenda, ao peito.
E isso porque quando via
qualquer condecoração,
se bem de forma rebelde,
de cusparada ou explosão,
via nela só o metal,
a âncora a atar-se ao pescoço
para não deixar que nada
se mova de um mesmo porto.
Morto, ei-lo afinal que encontra
seu tão buscado modelo:
o barco em que vai, parado,
não tem roda, é todo freios.
IV
Está no caixão, exposto
como uma mercadoria;
à mostra, para vender,
quem antes tudo vendia:
antes, abria as barricas
para mostrar a qualidade,
ao olfato do freguês,
de seu bacalhau, seu charque;
ou com gestos joalheiros
espalhava no balcão
para melhor demonstrá-las
suas gemas: milho, feijão;
e o que se julga com o tato,
fubás, farinha-do-reino,
ele mostrava escorrendo-os,
sensual, por entre os dedos.
Mostrar amostras foi lema
de seu armazém de estiva.
e eis que agora aqui à mostra
o mercador mercadoria,
mesmo com essa comenda
no peito, a recomendá-lo,
e é nele como a medalha
de um produto premiado,
e assim acondicionado
como está, em caixão vitrina,
bem mais fino que os caixotes
onde mostrava as farinhas,
mesmo com essa comenda
e essa embalagem de flor,
eis que ele, em mercadoria,
não encontra comprador.

Versos extraídos do livro "João Cabral de Melo Neto - Obra Completa",

Publicado por jpcoutinho em 05:26 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 23, 2004

um adeus

muro.jpg
As modas passam,como passei na Rua Passos Manuel, durante muitos anos. E irresistivelmente olhava para aquele carregador, que, com a mudança dos tempos foi desaparecendo. Agora desapareceu, reformou-se e deu lugar a uma enorme mancha branca.
A Casa Africana ficou mais pobre.

Publicado por jpcoutinho em 01:47 PM | Comentários (4) | TrackBack

agosto 19, 2004

os fantasmas

fantasmas.jpg

Publicado por jpcoutinho em 05:20 AM | Comentários (2) | TrackBack

agosto 18, 2004

"galp" em leça

galp 629.jpg

O que o já sénior Narciso resolvia em 24 horas ficou adiado - o problema da refinaria de Leça-. Ou desloca a refinaria, aumentando em milhares os desempregados, mas cederia sem à pressão urbanística de maus odores, que estrangula a dita cuja.
Mas rápido foi o relatório, falhou a dita “medição de explosividade”, e temos mais um acidente de trabalho. Só não foi explicado de onde veio tanto combustível.

Lusa
O incêndio e as explosões ocorridos durante a substituição de condutas no terminal petrolífero de Leixões ficaram a dever-se a "insuficientes" procedimentos de segurança, conclui um relatório da Galpenergia a Lusa teve acesso.

"Os procedimentos estabelecidos nesta operação revelaram-se insuficientes", lê-se num comunicado interno que condensa as principais conclusões da comissão de inquérito nomeada pela própria Galpenergia para averiguar o incidente, que não causou feridos.

O acidente ocorreu no passado dia 31 de Julho, quando técnicos da empresa procediam à substituição de 18 condutas que ligam a refinaria de Matosinhos ao terminal petrolífero de Leixões. O incêndio foi combatido durante várias horas pelos bombeiros e o incidente provocou o derrame de hidrocarburetos na marina de Leixões.

Segundo a empresa, o acidente ocorreu precisamente numa conduta de nafta de 1,7 metros de diâmetro, onde decorriam trabalhos de metalomecânica. O comunicado interno confirma que a conduta tinha sido cortada entre a refinaria e terminal, tendo sido posteriormente limpa, com injecção de água, durante 18 horas, seguindo-se ainda uma injecção de vapor no interior do tubo, durante mais oito horas.

No final deste procedimento, foram efectuadas "medições de explosividade, cujos resultados permitiram a execução das operações previstas", acrescenta. Apesar de terem sido "inteiramente respeitados" estes procedimentos técnicos geralmente adoptados pela indústria petrolífera internacional, "permaneceram na linha vestígios de produto e água, que escorreram quando se procedeu ao desaperto de uma flange", assinala o comunicado.

Publicado por jpcoutinho em 01:48 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 12, 2004

s pedro da cova

spcovaw.jpg

Publicado por jpcoutinho em 03:42 PM | Comentários (4) | TrackBack

agosto 05, 2004

morreu henri cartier bresson

hcb.jpg
o senhor do momento decisivo morreu.
Foi um viajante incessante que documentou o mundo no século XX. O último dos bravos que ergueram a fotografia a partir das cinzas da II Guerra Mundial.Morreu segunda-feira, mas só ontem se soube. Evasivo até ao fim. Com Henri Cartier-Bresson, fundador da agência Magnum, é uma região mítica da fotografia que desaparece.
photo_hcb.jpg

Publicado por jpcoutinho em 11:30 AM | Comentários (1) | TrackBack

agosto 04, 2004

o meu

rico meninonarcisow.jpg

Publicado por jpcoutinho em 12:52 AM | Comentários (0) | TrackBack