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maio 05, 2005
por um porto feliz
Porque me lembrei do génio que quiz tirar o r á Revolução.
Já contei esta história, e nunca é de mais repeti-la. Já no tempo da vereadora Maria José, no reinado de D Fernando Gomes, em que se pretendia que os arrumadores tivessem direito a carta e fatiota, para poderem ter outro aspecto...(digo eu), do outro lado, nesta cidade, um programa exemplo tinha as portas abertas; onde eram administrados os substitutos da droga e depois da dose tomada, os utentes passavam irónicamente o tempo entre cervejas, ressacas e a espera de novas doses sob a sombra do monumento ao empresário!!! Ironias.
“Tá - se a ver o alcançe!”, diz-me na altura uma técnica que lá trabalhava. Quis fazer trabalho de rua que fazia parte do projecto: o resultado foi um alheamento da hierarquia que a levou à frustração e desemprego voluntário.
Foi o esquecimento do programa, ainda sem eu saber quais os resultados do “meu” dinheiro que lá foi gasto, para quem e para quê.
Aparece o “Porto Feliz” e entre dúvidas e acompanhamentos: “ora vamos lá ver quantos ainda andam na rua?”, esquecendo que nas mesmas páginas dos jornais aparece um outro factor: há cada vez mais droga nas escolas... e até nas prisões ( e esta hein).
Entre um e outro método existe uma diferença fundamental: comunidades científicas estrangeiras aprovam e importam o projecto “Porto Feliz”, e nós por cá vamos cortando verbas, sabotando talvez, procurando na rua os não voluntários e reincidentes.
Não é um manifesto de apoio ao DR Rui Rio, muito nos separa ideológicamente.
Que estudo foi feito e posto em prática nestes últimos 30 anos, para melhorar a vivência e o consequente diminuição de desperdício nos bairros socias?
E se por cada mandato, tal como na insuspeita Noruega, os presidentes de câmara e outros políticos respondessem pessoalmente em tribunal por muitos negócios ruinosos para o erário público?
“Pode ter o programa defeitos, o dinheiro é pouco, mas este resultou comigo. Com mais esforço e vontade de muitos políticos tudo isto seria um orgulho para Portugal. Tás a ver choramos as lojas dos Chineses, e o que é nosso e exportado não tem quase valor; não faltam melgas a encontrar defeitos... que vá o dinheiro das multas para o programa, bem o merece, atiraram-me a bóia, apanhei-a. Tenho emprego, e sou gente por causa deste porto de abrigo", disse-mo um utente.
Diria-me -ia, poucos dias mais tarde, um médico que andou grande parte da sua vida na China, Suíça, Usa e Portugal: “Lanças a corda e se não houver vontade por parte deles, não há milagres.”
Pois então que os multem e entregue as coimas direitinhas a programas de recuperação. Antes eles serem multados, que me arrombarem o carro três vezes num ano, e assaltarem-me os filhos e a família. Se não querem a corda ... o problema é nosso. Têm centros de recuperação, drogas de substituição, clínicas para gente fina, ou o Porto Feliz. Haja homens mais que os ajudem a erguer e recuperar a sua dignidade e a sua vida.
Mas a esperança é pouca, e nestes 30 anos de Abril... continua-se por cumprir os ideários. Alguns políticos até vestem duas camisolas para estarem ao lado dos presidentes de clubes de futebol.
Inaugura-se e corta-se fitas por qualquer coisa como no antigamente. O que era previsível ser um gesto de obrigação de quem ocupa poder sem abegnação ao dito poder..
Quanto a nós... não distinguimos um trambolhão de bicicleta..... de um colapso de uma civilização.
Publicado por jpcoutinho às maio 5, 2005 01:15 AM