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março 04, 2005

GÉRARD CASTELLO-LOPES

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GÉRARD CASTELLO-LOPES – “Homenagem a Henri Cartier-Bresson – Fotografias de Gérard Castello-Lopes” - Exposição de Fotografia De 5 de Março a 12 de Abril de 2005. Galeria Fernando Santos Rua Miguel Bombarda, 526 / 536, Porto. De 3ª a 6ª das 10h00 às 12h30 e das 15h00 às 19h30. Segundas e Sábados das 15h00 às 19h30.

Gerard Castello-Lopes é uma personalidade de referência no panorama da fotografia portuguesa.

A propósito da exposição “Oui/Non” realizada, de Janeiro a Abril de 2004, no Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, escreve Delfim Sardo:

“Gérard Castello-Lopes é um dos nossos mais importantes cronistas. Desde o início do seu interesse pela fotografia, tomou como sua a tarefa de mostrar, através das suas imagens, um país, frágil e belo, dramático no seu isolamento. Com um olhar elegante e requintado, Gérard Castello-Lopes transporta consigo a culpa de, irremediavelmente, esteticizar a nossa memória, agora já colectiva, do Portugal cinzento e triste do final do salazarismo.”

Gérard Castello-Lopes nasceu em Vichy, em 1925.

Viveu em Lisboa, Cascais, Estrasburgo, onde fez parte do Corpo Diplomático da Missão Permanente de Portugal junto do Conselho da Europa. Mais tarde, fixou residência em Paris. Licenciado em Economia pelo I.S.C.E.F. de Lisboa. Profissional de cinema, fotógrafo e crítico. Gerente de uma sociedade no campo do audiovisual. Dedica-se à fotografia a partir de 1956. Assistente de realização do filme português "Os Pássaros de Asas Cortadas" (1962) e de encenação de duas óperas realizadas pelo Grupo Experimental de Ópera de Câmara, subsidiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Membro fundador do Centro Português de Cinema. Co-autor e assistente de produção e realização, juntamente com Fernando Lopes e Nuno de Bragança, da curta-metragem "Nacionalidade: Português" (1970). Presidente do Júri do Instituto Português de Cinema durante o período de 1991 a 1993. Membro do Conselho Consultivo da Culturgest. A sua "formação" como fotógrafo foi a de um autodidacta. Como quase todos os outros fotógrafos dessa época, a sua aprendizagem não foi escolar (não havia cursos de fotografia) e baseou-se por um lado, numa natural pulsão de representar a realidade, por outro, num intenso interesse pelas outras artes plásticas ou representacionais, como a pintura, a escultura, o cinema e a própria fotografia. O método consistiu em aprender os fundamentos técnicos da fotografia – o que se aprende facilmente nos livros –, definir uma orientação sobre o "objecto" preferencial da sua actividade fotográfica (tomando Henri Cartier-Bresson como paradigma), e cotejar continuamente o resultado do que ia produzindo com o "corpus" fotográfico que lhe era facultado pelas revistas e livros estrangeiros da especialidade, na ausência ou na ignorância dum "corpus" equivalente português. Na sua essência, o método foi pragmático ou, como se diz em inglês, de tentativa e erro.

Sobre esta exposição, de homenagem a Henri Cartier-Bresson, escreve Gérard Castello-Lopes no prefácio do livro agora editado pela Galeria Fernando Santos:

“Comparar-me ao Mestre seria tão paradoxal como comparar o Sol à luz duma vela. Por outro lado quando adquiri os exemplares de “Images à la Sauvette” e dos “Européens” tomei a decisão de seguir o mesmo caminho. (…)

Para lá do génio fotográfico que foi o seu, é inegável que Henri Cartier-Bresson foi um incomparável fotojornalista. Embora Peter Galassi, actual director do departamento fotográfico do Museum of Modern Art de Nova Iorque, tenha escrito um livro intitulado “Henri Cartier-Bresson – the early work” onde Galassi tece as loas do primeiro período do fotógrafo em que a componente surrealista tomava o passo sobre qualquer outra consideração, não é menos verdade que com a criação da agência Magnum em que o mundo foi distribuído entre os seu fundadores, Henri Cartier-Bresson se tornou, à medida dos seus colegas Robert Capa, David Seymour e George Rodger um fotojornalista ímpar. Não é pois de admirar que o tenha escolhido como Mestre e, na medida das minhas possibilidades, tenha tentado seguir o mesmo caminho que ele, entre todos, desbravou.

Essa decisão não define nada mais do que uma influência; um caminho que eu desejava calcorrear, à minha maneira, sob a influência de Henri Cartier-Bresson. Mas essa influência nunca atingiu uma qualquer forma de identificação. Se algumas fotografias desta exposição mostram claramente essa influência só posso dizer que, desde sempre, toda a gente influenciou toda a gente, e como dizia um amigo antigo é a imitar os homens que se aprende a ser homem.

Sempre entendi que os postulados de Cartier-Bresson, uma inefável conjunção entre a geometria do mundo e a pesquisa daquilo que ele chamava “o instante decisivo”, vinham dum modo de ver que se aproximava do génio e em relação ao qual, não poderia nunca haver meças. Mas influência houve e se, hoje ainda, posso aduzir uma certa intuição e algum rigor na composição, é a ele que o devo. (…)

Soube pelos jornais que Cartier-Bresson tinha falecido em l’Isle sur la Sorgue e fora sepultado no cemitério de Montjustin. A minha mulher e eu fomos visitar a sua sepultura como última homenagem ao homem que tinha desencadeado em mim as ânsias que acompanham todos os fotógrafos. Estávamos a sessenta quilómetros desse cemitério e lá fomos em romagem. Fotografei a sua campa e a minha mulher fotografou o meu recolhimento. A sepultura que fotografei de Cartier-Bresson estava coberta de flores. No seu topo havia um vaso com uma oliveira ali plantada. Por detrás estava, verde-escuro, um cipreste alto e majestoso. Fiz setenta e nove anos nesse dia.”

Publicado por jpcoutinho às março 4, 2005 11:10 PM

Comentários

Gosto do novo look! Um abraço

Publicado por: Patinho Feio às março 5, 2005 10:49 AM

Obrigado pela dica da exposição. Ouvi em tempos a entrevista de Gérard Castello-Lopes na TSF em que falava de Cartier-Bresson, e fiquei curioso pelo trabalho de ambos. De Cartier-Bresson já conheço um pouco, agora a oportunidade de conhecer Castell-Lopes, o fotógrafo!

Publicado por: jotakapa às março 5, 2005 04:49 PM